A atual situação da política brasileira causa não apenas um estado de constrangimento em toda a população como também leva muitos a desconfiar totalmente de todos os efêmeros (ou nem tanto...) habitantes de Brasília. No entanto, os recentes escândalos do Senado Federal revelaram que, embora sejam poucos, existem sim políticos interessados em manter a ética e a moral no Congresso Federal.
Na edição número 35 da revista Rolling Stone Brasil, revista dedicada à música e conceituada há décadas mundialmente, uma entrevista com o senador Cristovam Buarque (PDT-DF) nos faz perceber que, diferente de Saci Pererê, Mula sem cabeça e Negrinho do Pastoreio, político comprometido existe, sim!
Nesta entrevista, Cristovam Buarque rejeita a alcunha que lhe foi dada pela mídia durante os escândalos envolvendo o presidente da casa, o senador José Sarney (PMDB-AP), de “líder do Bloco dos éticos”. Cristovam prefere ser reconhecido, junto com os demais senadores que apóiam o afastamento do presidente do Senado, como “grupo dos preocupados”, “dos indignados”, “dos raivosos”. Buarque foi o primeiro senador a pedir o afastamento de Sarney, seguido de Pedro Simon (PMDB-RS), Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) e Eduardo Suplicy (PT-SP), que conseguiram o apoio de outros senadores, mas não conseguiram evitar a absolvição de Sarney e o arquivamento das denúncias contra ele.
Mais adiante, Buarque expõe em detalhes o projeto que apresentou para uma ampla reforma política. Os principais tópicos deste projeto são a redução do mandato de senador de oito para quatro anos; redução do número de senadores por estado, de três para dois; redução do número de deputados estaduais, de 513 para 370; renúncia do mandato de senador para assumir funções no executivo; extinção dos suplentes: em caso de morte, cassação ou renúncia, o substituto seria eleito pela Assembleia Legislativa do estado de origem do parlamentar; Separação das eleições estaduais das federais: Deputados estaduais seriam eleitos junto com vereadores e prefeitos; fim das reeleições para cargos executivos e apenas uma reeleição para deputados e senadores, entre outras propostas.
Ao fim da entrevista, Buarque é questionado sobre se antevê o debate sobre a educação na eleição de 2010. Em resposta, afirma:
“Não vejo diferença entre Dilma e Serra. Vão dizer as mesmas coisas, a única diferença será a taxa de aceleração do crescimento de cada um. Mas o Brasil não precisa acelerar, precisa mudar de rumo. Há um novo Brasil que quer nascer e eles não estão deixando. É o Brasil da indústria do conhecimento, do chip, da distribuição de renda por meio de uma educação igual para todos. Se o Brasil não mudar de rumo, seremos sempre um país que vive de exportar ferro e soja e importar chips, um país sem futuro.” Ainda afirma, em seguida que “o vetor da transformação é a educação!”.
